Pessoal, por Alice

Vermelha

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Sou uma pessoa tímida. Meu coração palpita quando tenho que me expor, as mãos ficam geladas, a voz falha e o rosto fica vermelho. Isso acontece em duas situações particulares: quando vou falar em público (especialmente quando preciso me apresentar ou dizer algo sobre mim) e quando encontro pessoas conhecidas na rua. Até já pesquisei sobre isso no Google achando que eu tinha algum distúrbio ou doença, mas para a minha surpresa encontrei vários relatos de pessoas que sentem o mesmo que eu.

Frequentemente me arrependo por não ter dito ou agido como gostaria porque a timidez falou mais alto. Por outro lado, gosto de me sentir bem na minha zona de conforto e que ninguém venha bater na minha porta, que eu não vou abrir (contradição). Já tentei fazer curso de teatro três vezes. Na primeira, consegui me soltar e me surpreender. Na segunda, tive o azar de encontrar um professor estúpido que me disse “Alice, desça do palco agora!” e na terceira não me permiti evoluir.

Essa semana, por exemplo, não gravei um vídeo para concorrer à uma bolsa de um curso bacana e nem consegui falar sobre o que me move num curso de arte educação. É mais confortável não se expor, por isso muitas vezes perdemos a chance de explodir a bolha invisível que sufoca.

Isso não quer dizer que eu seja inacessível e que não me comunique. Como professora, falo em público e consigo ser eu mesma diante dos alunos, por exemplo. Tudo depende da situação.

Quando assisti o curta metragem que a Mel compartilhou no blog dela, me identifiquei na hora. Eu também tenho um jacaré azul de estimação. A animação é linda e a mensagem que ela passa é de esperança, pois é possível conviver com esse bichinho, que no fim das contas, é até simpático (desde que não mande em todas as situações).

Costumo dizer que a frase que mais me define é “Não saio de dentro de mim nem pra pescar” do Manoel de Barros. Me sinto bem dentro de mim e penso que escolhi o caminho das artes plásticas como forma de comunicação, onde posso me expressar e dizer quem sou e o que me representa.

Podemos experimentar, mas sem ultrapassar nossos limites. Afinal de contas, são as características positivas e negativas que nos fazem seres únicos. E lembrar que sim, podemos nos superar e nos surpreender com o que não estamos habituados a fazer. As barreiras que inventamos podem ser quebradas, se quisermos.

P.S.: Pretendo gravar mais vídeos em breve e isso é um projeto de superação que firmei comigo mesma :) Aliás, você já é inscrito no meu canal?

<3

Tags: pessoal , Timidez ,

12 comentários Comentar

  1. Te contá? Meu crococodilo é mais puxado pro lilás…
    E estou muito feliz com ele! :)
    A graça está exatamente na diferença entre os seres humanos.
    E digo mais, também não gravei o vídeo pro tal curso que TODOS dizem ser muito maneiro e etc e tal, pois acredito que a necessidade de transformar negócios criativos feitos à mão em algo Maior, Melhor e Inacreditavelmente Rentável, não seja o meu objetivo com a Annita.
    Simples assim. Gosto dela do jeito que está, pequena, intimista e feita sem pressa! :) <3 Sem lucros absurdos, tendo uma disciplina adaptável à minha rotina.
    Ahhh o croco lilás ajudou na decisão também! :P

    :*

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    1. Hahahah acho que nossos crocodilos seriam bem amigos, Anna! Precisam se conhecer :P
      Gostei da sua reflexão sobre o crocodilo, o curso, o seu negócio e a sua escolha. Bem verdade, temos que estar confortáveis também no que decidimos não expor e não fazer. Nem sempre isso é um problema, né?
      Você me deixou mais tranquila. É como a mocinha do filme. Ela não precisou matar o crocodilinho pra ser feliz :)
      E vamos em frete, com alguém colorido a tiracolo!
      Beijos <3

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      1. Sim, a gente tem que se encontrar fora da caixa mágica luminosa!!! huahuahuahuauh
        Mas enquanto isso não acontece, obrigada por sempre postar sobre assuntos tão pertinentes! Não costumo ler blogs, são realmente poucos que eu leio, acompanho… mas o seu me dá uma grande alegria, um conforto muito grande no coração!

        Um beijo!!

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        1. Ah que linda! Seu comentário me deixou muito feliz, Anna! :D
          A gente vai se encontrar fora da caixa luminosa sim, pode ter certeza!
          Como é bom e gratificante saber que os assuntos que abordo trazem alegria e sensações boas. É isso que busco nos blogs que leio e saber que o meu também traz esse sentimento, me deixa muito, muito feliz :)
          Um beijo <3

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  2. Alice queridona, me identifiquei com todas palavras que você escreveu. E com o video.
    Eu tambem sou timida , muito timida, e odeio isso em mim as vezes. Antes do blog era mil vezes mais … Chegava passar uma imagem de ” pobrezinha ” pra todo mundo , sofri muito na escola por isso. Ficava com duvidas, nunca dava uma opiniao… Um saco ! E o pior de tudo isso pra mim era que eu tinha vontade de me expressar , e nao conseguia =(

    Vejo meu pai, todo extrovertido , faz amizades em menos de 1 minuto com todos que encontra por ai…. Poxa, pq nao sou como ele ? Demorei pra entender que de uma certeza forma,é uma caracteristica minha …

    Quando comecei os videos do canal tive que escolher entre mostrar pro mundo o que sou e gosto ou viver com a escolha de nunca deixarem que me conheçam de verdade. Claro que , depois dos videos , a questao da timidez excessiva diminuiu , mas ainda luto todo santo dia pra nao chorar de nervoso sempre que por algum motivo , preciso falar diante das pessoas, me explicar, essas coisas…

    Sabe , sabendo levar e procurando sempre perceber em quais situaçoes é normal ser timido, tudo bem ! No fim das contas a gente aprende a conviver com isso e a se adaptar. E melhor : vibrar sempre que vencemos alguma barreira. Por menor que seja ! S2

    Estou sempre aqui com você , e torço de coraçao pra que comece a gravar mais videos S2

    mil beijos e desculpa o textao

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    1. Gi, eu sempre lembro de você comentando em um vídeo que as pessoas se surpreenderam quando viram seus vídeos pela primeira vez e perceberam uma outra Gi, aquela que sempre existiu mas que por timidez você enscondia. Admiro sua coragem e tenho certeza que você superou uma barreira e tanto com os vídeos.Às vezes me comparo com outras pessoas e penso que eu poderia ser como elas, mas aí não teria graça. Seu pai é único e você também.
      Como você disse, desde que saibamos em que situações é normal ser tímida, tudo bem. Temos que estar felizes com o que somos e ainda bem que nem sempre ser mais reservada é um problema.
      Adorei ler seu comentário <3
      Mil beijos e não precisa se desculpar por nada. Você é sempre bem-vinda aqui, com textão ou textinho!!! <3

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  3. Que texto mais sincero, Alice… Adorei lê-lo! Também me considero super tímida, principalmente se for para falar sobre mim. Aí, sai de baixo! Tenho que me controlar MUITO para não gaguejar, não tremer, não parecer que estou mega nervosa. Mas tenho certeza que já evoluí pra caramba. Fui daquelas alunas CDFs, que senta na frente e tira ótimas notas, mas nunca tive coragem de levantar a mão e fazer perguntas em sala de aula. Acredita nisso? Esperava todo mundo ir embora para falar diretamente com o professor. Hoje, fico feliz em olhar para trás e ver que boa parte dessa timidez já foi embora :)

    E olha, posso te falar? Você é uma menina linda, com um coração tão suave e bom, que é uma delícia ver você falar e escrever, do jeitinho que você é. Um beijo enorme!

    Nath

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    1. Fico feliz que tenha gostado do texto, Nath! Acho que ele surgiu para eu me explicar para mim mesma, sabe? E a partir dele percebi que o problema não é tão grande como eu pensava. É uma característica minha. Não sou daquelas tímidas que deixam de fazer as coisas, que se isolam por completo. Me considero normal, só fico chateada quando queria fazer algo e não faço.
      Na escola eu nem era tão tímida, mas também não tinha o costume de tirar minhas dúvidas diante de toda a turma. Sofria nos dias de apresentação de trabalho, mas depois dos primeiros minutos de terror, tudo fluía bem e não queria mais parar de falar, hahaha!
      O que acontece comigo é a timidez em determinadas situações, principalmente falar em público e falar sobre mim. Mas estou melhorando, ainda bem :)
      Obrigada pelo carinho e por estar sempre presente por aqui! Adoro quando vc comenta :)
      Beijos <3

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  4. Amei, o vídeo e o post!
    Tenho uma filha de 6 anos que tem um crocodilo imenso! Estou louca pra escrever um post sobre isso, já leu O Poder dos Quietos?! Vale a pena.
    Ah! Comprei o Laboratório de Desenhos por conta dos seus post! E ainda quero escrever sobre isso!!
    Valeu beijoss

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    1. Obrigada, Leticia! Fico feliz que tenha gostado :) Não li o Poder dos Quietos, vou procurar!
      Tente incentivar a sua filha matriculando-a num curso de teatro. Acho que fazer teatro enquanto é criança ou adolescente ajuda mais do que quando já somos adultos. Me parece que a Denise Fraga e o Wagner Moura começaram a fazer teatro durante a adolescência porque eram extremamente tímidos e hoje são excelentes atores!
      Que legal isso de você ter comprado o livro por conta dos meus posts! Está fazendo os exercícios? Quero ver o resultado no seu blog, hein? rsrsrs
      Beijos <3

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  5. sabe que eu sempre me considerei tímida, detesto falar em público, falar de mim, das minhas coisas, mas, certa vez, uma colega de faculdade me disse que não me achava tímida. isso me surpreendeu bastante! ela disse que eu só era “na minha”. e que há uma diferença entre ser tímida e ser “na sua”. depois comecei a pensar mais sobre o assunto e concordei (em parte)com ela. em parte, pq tenho certos sintomas da timidez… eu tenho dificuldade pra começar uma conversa, se a pessoa não vier falar comigo primeiro, dificilmente eu vou conversar com ela. mas se ela vir falar comigo, eu respondo, sem problema algum. Mas sou do tipo que dá respostas curtas. E também não sou muito de puxar assunto. acho que sou mais ouvinte do que falante mesmo… mas acho que sou mais de falar somente o necessário, o que me pedem. talvez seja assim contigo também..? pq conheço pessoas extrovertidas que também ficam nervosas em falar em público (e isso me deixa bem aliviada por ver que não chego ao extremo, então! heheh). acho que é normal em todo mundo que não esteja habituado a isso. se expor é sempre algo constrangedor para quem não faz isso com frequência.

    Enfim, muito legal saber um pouco mais sobre você, e poder nos ver um pouco nos outros. nos dá conforto e sensação de que não estamos sozinhos nisso! hehe também não gosto de atender a porta, nem o telefone! iauheaiuh acho que é algo no fato de não saber quem está lá, do outro lado… sei lá.

    Ah, adorei a animação também! <3

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    1. Pode ser isso mesmo Bia, de sermos tímidas de “leve”. Acho essa definição mais confortável e como você disse, qualquer coisa que fuja do que fazemos com frequência vai incomodar mesmo.
      E para mim é legal saber que as pessoas que me acompanham se identificam comigo, isso também me traz conforto, conhecer um pouco mais de cada um, as histórias, descobrir afinidades.
      Quando eu falei da porta foi mais metafórico, no sentido de me fechar dentro do meu mundo e trancar a porta. Mas em relação ao telefone, eu também não sou muito fã, hahaha, mas faço porque é necessário :)
      Essa animação é linda, adoro :)
      Beijos <3

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